Eu me lembro que, certa vez – eu era criança, estava estudando no sexto ou sétimo ano do Ensino Fundamental... – a nossa professora de Ciências entrou em sala e começou a explicar-nos “o que era o ar e o vento”. Explicou-nos detalhadamente, deu alguns exemplos... E, por fim, fez a famosa pergunta: entenderam? Todos haviam entendido (pelo menos disseram que sim), exceto uma aluna.
Então a professora explicou novamente, deu outros exemplos... e a aluna não entendeu. Explicou pela terceira vez, quarta, quinta... e nada. Até que a professora teve uma ideia – uma ideia infalível na sua concepção: agora sim! Agora ela faria com que a aluna entendesse “o que era o ar”, “o que era o vento”!
Levou-a até o lado de fora da sala. Nós, os outros alunos, também fomos. Do lado da escola, uma árvore. O vento acariciava levemente as suas folhas. Então a professora apontou para o cume, onde os galhos mais finos e folhas moviam-se de um lado para o outro, e explicou-lhe que aquilo só era possível porque o vento, ou seja, o “ar em movimento”, tocava nos galhos daquela árvore. E novamente perguntou se a jovem havia entendido.
A menina olhou para a professora, para os outros alunos. E, com um rostinho triste e ainda cheia de dúvidas, respondeu que “sim”, buscando se livrar daquela situação constrangedora. A professora, já no limite das suas possibilidades, preferiu entender que a menina estava sendo sincera.
Atualmente, sabe-se que aquela menina, agora mulher, anda de biblioteca em biblioteca, devorando livros e mais livros, buscando entender o que é o ar e o vento...

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