quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

VENCENDO A FÍSTULA DURAL ARTERIOVENOSA


Tudo começou quando um dia, ao me deitar, eu ouvi, no ouvido esquerdo, alguns sons parecidos com apitos de insetos. Fiquei preocupado pensando "Será que tem insetos no meu ouvido?".

Esses apitos pararam como se já não existissem mais. Porém reapareceram em outros momentos. E foram se tornando mais frequentes. Por fim, se tornaram contínuos, embora eu apenas os ouvisse em lugares silenciosos. Verifiquei, também, colocando o meu polegar em um dos meus pulsos, que o som que eu ouvia pulsava no ritmo das batidas do meu coração. Isso me levou a pesquisar a respeito no Google.

Diante de tal quadro, havendo passado um tempo significativo e orando a respeito, entendi que precisava reconhecer que aquele som era o meu corpo acendendo uma luz vermelha. Eu precisava fazer alguma coisa. Encarar o problema. Buscar a solução.

Resolvi contar para Juliana, minha esposa, o que estava acontecendo. A partir de então, após consultar-me com uma médica de clínica geral do posto de saúde, marquei uma consulta com um otorrinolaringologista para o dia 26 de setembro de 2024, às 18h e 20.

No dia da consulta, passei na creche de carro, por volta das 16h, peguei minha filha e fui para Miguel Pereira, onde seria a consulta. 50 minutos depois aproximadamente, cheguei a Miguel Pereira, dirigi-me ao local onde minha esposa trabalha e deixei a minha filha com ela. Aguardei alguns minutos e fui para o consultório do otorrino.

Após aguardar o atendimento de alguns pacientes, o meu nome foi finalmente chamado.

Relatei, com detalhes, ao otorrino o que estava acontecendo. Este examinou o meu ouvido e viu que tudo estava em ordem. Depois, levou-me a uma cabine e, usando os seus equipamentos, conseguiu ouvir o mesmo som que eu ouvia. Fez-me ouvir, também, e perguntou-me se aquele era o som que eu ouvia. Eu disse que sim.

Retirou-me da cabine, por fim, para conversar comigo. Denominou aquele som como "Sopro Pulsátil Craniano". Proibiu-me de pegar peso e de fazer atividade física. Solicitou que eu fizesse rapidamente uma Angioressonância. E elaborou um encaminhamento para o Instituto do Cérebro.

Enquanto ouviu o diagnóstico e as instruções, imaginei que estava recebendo tranquilamente aquelas informações. Porém, algo me provou o contrário: saindo da sala do médico e já chegando à recepção, tive uma tontura e percebi que eu poderia ter um desmaio.

Disse ao médico sobre a tontura. Ele me orientou que me sentasse em uma das cadeiras, afirmando que o mal-estar passaria. De fato, passou, após eu recobrar a minha consciência. Vi que eu estava no chão, deitado. O médico segurava as minhas pernas no alto, tentando recobrar-me do desmaio e os outros pacientes tentavam ajudar de acordo com suas possibilidades.

Diante de tamanho susto, o médico pediu-me que fizesse contato com algum familiar para que este viesse me buscar na clínica.

Liguei para a minha esposa e, assim que ela veio, contei-lhe detalhes do que havia acontecido. Penso que Deus usou aquele desmaio para que minha esposa ouvisse não só a mim, mas também ao médico (o que de fato aconteceu) e pudesse me ajudar, de posse de mais informações.

Diante daquele diagnóstico e das orientações do otorrino, marcamos a Angioressonância em uma clínica de Petrópolis. Este exame detectou que eu estava com Fístula Dural Arteriovenosa. Ou seja, de forma anômala, fluxo sanguíneo estava fluindo de uma artéria para uma (s) veia (s). Era necessário que tal condição fosse corrigida.

Tudo isso gerou em nós uma corrida contra o tempo. Pois entendíamos que estávamos diante de algo grave. Aquela Fístula poderia se romper. E qual seria a consequência de tal incidente?

Essa luz vermelha, que também havia acendido em minha mãe, irmãos e familiares (os quais me ajudaram bastante com orações, apoio e principalmente exigindo de mim mais celeridade), fez com que eu marcasse, às pressas, uma consulta com um neurologista, mesmo antes de eu marcar a revisão com o otorrino.

Ambas consultas (com o neurologista e com o otorrino) trouxeram luz à questão: era necessário fazer uma avaliação com um neurocirurgião, uma arteriografia e, por fim, o procedimento reparatório. Este poderia ser uma cirurgia (abrindo o crânio) ou uma embolização — procedimento que se dá por meio de um cateter o qual, após acesso à artéria pela virilha ou braço, chega onde a doença está e leva o material específico (cola, dentre outros) para a realização da intervenção no ponto exato.

Começamos a agir para agendar o procedimento, tendo em vista, primeiramente, o Instituto do Cérebro. No entanto, as portas se abriram para que o procedimento fosse realizado, através do SUS, no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis.

Chegando ao Hospital de Petrópolis, cumpri todos os requisitos burocráticos: assinatura de papéis, etc. E fui direcionado à Sala de Hemodinâmica, local onde eu deveria aguardar o horário de início do procedimento, previsto para aquele mesmo dia.

A enfermeira que ficou responsável por me auxiliar se chamava Vitória. Não demorou muito, fui presenteado com algumas furadas nos dedos, recebi um acesso venoso no braço. Tive a pressão aferida e ganhei alguns cabos colados no tórax para acompanhar os batimentos cardíacos.

Procurei manter-me em oração. Precisava ser fortalecido. Eu não tinha certeza se o procedimento seria realizado naquele dia, como estava previsto. Nem mesmo sabia qual seria o procedimento. Cirurgia... Embolização... Sabia que, primeiramente, realizariam a arteriografia. Esse era o exame que daria direção à equipe médica a respeito de qual procedimento adotar.

Restava-me, portanto, orar a Deus, confiar nele e crer que irmãos e irmãs ativados por Deus estavam "na brecha" pela minha vida.

Aquela tarde e início da noite passaram lentamente. E eu, cheio de cabos no corpo, não podia me mover livremente.

Por fim, chegou o momento desejado por um lado, porém temido por outro. Desejado, porque corrigiria aquela anomalia na qual uma de minhas artérias havia se metido. Temido, porque definitivamente eu não desejava permanecer vulnerável (sedado) diante da equipe médica, enquanto esta faria intervenção em meu corpo, artéria..., na região interna do crânio.

Eu não tinha escolha. Na verdade, havia orado para que Deus abrisse aquela porta. Ele havia atendido a minha oração.

Levaram-me para o local do procedimento. Fui em espírito de oração. Puseram-me no local do exame. Recebi mais agulhadas no corpo.

Não discerni quando terminou o exame e começou o procedimento, pois o efeito da anestesia me fez perder a consciência, como era de se esperar.

Terminado o procedimento e já de volta à Sala de Hemodinâmica, comecei a recobrar a minha consciência. Para a minha surpresa, enquanto recobrava a consciência, encontrei-me falando em línguas com uma desenvoltura incrível. As línguas fluíam como um rio, mesmo não havendo uma intencionalidade pré-determinada. Senti que eu não conseguiria controlar aquele fluxo. Na verdade, não tentei fazê-lo, pois senti que era algo de Deus.

Havia um profissional de saúde ao meu lado, acompanhando-me nesse processo. Este me perguntou: O que é isto que você está falando? São línguas estranhas? Balancei a cabeça afirmativamente. Ele continuou: Rapaz, gostei daquela oração que você fez.

Fui recobrando a consciência, até atingir os 100%. O efeito da anestesia e de outros medicamentos passou. As línguas cessaram. O profissional de saúde, cumprida a sua missão, se apartou de mim. E eu fiquei me perguntando a que oração ele estava se referindo. Não me lembrei de tê-la feito. Porém se a fiz, como ele afirmou, estou seguro de que Deus dirigiu as minhas palavras, de forma que elas cumprissem os desígnios que estavam no coração dele. Infelizmente, fiquei sabendo que o procedimento não havia sido concluído.

No dia seguinte (terça-feira), fui transferido para a UTI São Judas. Fiquei sozinho em um cômodo. Recebi visitas de vários profissionais: psicólogo, fisioterapeuta, assistente social, o médico do hospital...

Para minha surpresa, a enfermeira que recebeu a incumbência de me assistir se chamava Vitória. Vitória? Como assim? Não era esse o nome da enfermeira do dia anterior?

Isso mesmo. Ela possuía o mesmo nome. Tal fato ativou a minha percepção profética: Estaria Deus se comunicando comigo? De fato, Deus fala através de sinais. E não apenas através de palavras. Ele fala de diversas maneiras. Cabe a nós aprender a discernir essas diversas formas.

Senti uma certa alegria ao imaginar que Deus poderia estar tentando se comunicar comigo. Fiquei em alerta. Deus é mesmo tremendo! Ele teria movido todo o sistema, as escalas, enfim, tentando dizer-me que eu seria VENCEDOR.

Terça-feira terminou. Apesar da alegria descrita acima, eu ainda lidava com a tristeza de saber que restava a parte B do procedimento. Eu teria que me submeter a um novo procedimento. Mais agulhadas... Anestesia na virilha... Cateter transitando através da artéria... Acesso no braço... Medicamentos necessários à realização do procedimento...

Quarta-feira chegou. Outra enfermeira se apresentou. Perguntou se eu estava precisando de alguma coisa. Disse que estava responsável por me assistir. Acrescentou que, se eu precisasse de alguma coisa, poderia apertar a campainha. Quando ela mencionou o seu nome, tive plena certeza de que Deus realmente estava falando comigo. Ela também se chamava Vitória.

Deus havia falado comigo. Havia confirmado a mensagem usando um número bíblico. O número TRÊS. Eu seria vitorioso. Glória a Deus! Restava-me somente persistir, continuar crendo e perseverando em oração.

Na quarta-feira à tarde, fui transferido para a UTI São José. Era um cômodo grande. Ali havia outros pacientes (alguns em estado muito grave), vários enfermeiros e outros profissionais da saúde prestando assistência.

Neste setor, como se poderia imaginar, havia mais falatório, tanto conversas agradáveis como desagradáveis. Era preciso ter sabedoria, continuar orando e crendo no favor de Deus.

A noite seguiu avançando. A essa altura, eu já estava sentindo o impacto de estar longe de casa (da família), longe da minha Bíblia, sem poder ouvir um louvor, preso naquela cama hospitalar e na rotina característica de um hospital.

Comecei a sentir muita angústia. O tempo passava de gota em gota. O sono não vinha. Eu rolava de um lado para o outro, por não encontrar boa posição para dormir. Além disso, não havia me conformado com a ideia de que haveria de passar por um segundo procedimento. Sabia que, quanto mais o tempo passava, mais próximo eu estava do segundo procedimento. Sabia que tinha que passar por aquele desafio, porém uma parte de mim desejava fugir do mesmo.

Nesse mesmo dia (quarta-feira), faltando cerca de uns 40 minutos para a meia noite, fui informado de que o procedimento aconteceria no dia seguinte. Disseram-me, também, que entrasse em jejum à meia noite. Jejum de tudo, inclusive de água.

Mesmo rodeado de temores e não desejando enfrentar o procedimento, alegrei-me, pois sabia que a luta precede a vitória. E Deus já havia falado que eu seria vitorioso. Era meu dever confiar no favor de Deus.

Todos estes fatores juntos, somados às oposições espirituais oportunas, geravam um peso de angústia (mal-estar, mal humor...) insuportável. Graças à misericórdia de Deus, consegui vencer aquela noite e a angústia que lhe acompanhava.

Chegou a quinta-feira. Outra equipe de enfermeiros deu início a escala. E eu sentia que precisava criar uma estratégia para evangelizar. Visto que, na quarta-feira, eu havia compartilhado com uma enfermeira o link dos meus louvores no YouTube, resolvi usar a mesma estratégia.

Ouvi uma enfermeira cantando trechos de louvores, enquanto trabalhava. Logo que tive a oportunidade, puxei conversa com ela e fiz a propaganda dos meus louvores, dando-lhe o endereço do meu canal no YouTube ( https://www.youtube.com/@denilsonnunes7932 ). Para a minha surpresa, ela acessou na mesma hora, no computador da enfermaria, os meus louvores, fazendo-os tocar, de forma que toda a equipe de enfermeiros, os pacientes que ali estavam bem como os demais profissionais da saúde os ouvissem.

Fiquei muito feliz, pois sabia que o nome do Senhor estava sendo glorificado. Todos ali estavam ouvindo o Evangelho através das letras que o Senhor me deu. Que em todos os lugares, oh Deus, seja o teu nome glorificado! Aleluia!

O tempo passou lentamente. Chegou a noite e, com ela, o momento de eu passar pela segunda fase do procedimento.

Levaram-me novamente para à Sala de Hemodinâmica. E, por fim, para o locar onde seria realizado o procedimento. Como já era previsto, passei pelos mesmos sofrimentos: agulhadas, dores, temores... No entanto, eu estava confiante no Senhor. Orando em todo tempo. Crendo que amigos, familiares e irmãos em Cristo estavam intercedendo pela minha vida. Isso me dava paz em meio à guerra. E eu sabia que Deus me daria a vitória.

A anestesia me fez perder a consciência. Acordei depois, na Sala de Hemodinâmica, com muita dor de cabeça e pressão nos ouvidos. Um enfermeiro me acompanhava nesse processo.

Nesse mesmo dia, levaram-me de volta à UTI onde estava.

A noite seguiu avançando até amanhecer o dia. Sexta-feira começava a todo vapor. Deram-me algo para comer. Já era hora de finalizar o jejum. Comi um pouco, mesmo sem fome, porém nada parava no meu estômago. Assim foi durante todo aquele dia. Nunca vomitei tanto na minha vida!

Em certo momento desse dia, presenciei a crise que uma paciente que estava ao meu lado teve. A princípio, ela estava normal. De repente, começou a reclamar de frio, o qual foi aumentando, aumentando..., até que ela começou a gemer de tanto frio. Pediu ajuda. A enfermeira que estava responsável por ela se aproximou, mas não conseguiu solucionar a questão.

A situação começou a piorar. Outros enfermeiros chegaram. Alguém ligou a manta térmica, mas não obteve o resultado esperado. Mais enfermeiros chegaram para ajudar. Por fim, chegou também o médico que, pela escala, estava responsável por aquela UTI.

A situação continuou se agravando. Tive a impressão de que ela estava à beira da morte, talvez na fronteira. Ou, como diria o rei e salmista Davi, atravessando o "Vale da Sombra da Morte" (Salmo 23). A essa altura, eu já estava intercedendo por ela. Intensifiquei a minha intercessão, pedindo mais insistentemente que Deus tivesse misericórdia dela.

E Ele teve. Louvado seja o nome de Senhor! Alguém sugeriu que retirassem o acesso venoso que haviam colocado nela. Assim fizeram. Não demorou muito, o frio começou a diminuir até parar completamente. E a paciente ficou bem.

De acordo com a conclusão a que aqueles profissionais chegaram, a crise de frio estava relacionada a uma infecção bacteriana através do acesso. Foi por isso que a crise terminou, diante do simples fato de retirarem o acesso.

No sábado, levaram-me para a enfermaria. Fiquei em um cômodo, onde já havia um paciente com a sua acompanhante.

Segui sem fome. Achava horrível o gosto dos alimentos. Somente alguns poucos itens eu conseguia comer. Sempre uma pequena porção. Não sei o que seria de mim, se o soro não fosse mantido no meu braço, pingando as suas gotas intermináveis...

Disseram que havia a possibilidade de eu ter alta no domingo. Alegrei-me imensamente.

Veio a tarde. Depois a noite. E, por fim, amanheceu o dia. Era domingo. E eu ansiava por ter alta.

Felizmente, recebi a visita da minha esposa. Conversamos bastante sobre vários assuntos. Inclusive sobre a minha filha, a qual, segundo a minha esposa, estava sentindo muita falta de mim. Alegrei-me, pois eu não era o único que sentia falta dela. O sentimento era recíproco.

Aqueles momentos com a minha esposa foram momentos de renovo. Pedi que ela orasse por mim. Quando ela o fez, senti o Espírito Santo trazendo renovo sobre a minha vida. Na mesma hora, lembrei-me de Jó 14.7-9, que diz: "Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó, ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta”. Lembrei-me, também, do hino "O Cheiro das águas", do Diante do Trono. Terminada a oração, nós o acessamos, usando YouTube.

Creio que Deus me fortaleceu, pois havia ainda uma grande luta a caminho. Certamente, eu estava mais fraco do que imaginava.

Estávamos esperando a comunicação de que eu estava de alta. Visto, porém, que, à medida que o tempo passava, nenhum profissional aparecia com tal informação, minha esposa se dirigiu ao setor que poderia nos esclarecer. Infelizmente, ficamos sabendo que a alta não se daria naquele dia, pois restava orientações por parte do neurocirurgião.

A alta ficou adiada para a segunda-feira. Eu teria que passar, ainda, mais uma noite no hospital.

O dia seguiu adiante. Veio a noite. Aquietei-me, evitando a proliferação de muitos pensamentos em minha mente. Isto eu o fiz porque sabia que precisava dormir, renovar as minhas forças. O corpo já reclamava daquele colchão duro. Virando de um lado para o outro, finalmente encontrei uma posição que convidou um sono profundo. Sono do qual eu estava precisando. Nesse dia, diferente dos demais, a enfermeira fechou a porta que dava para o corredor. Com isso, o cômodo ficou totalmente escuro.

Cerca de duas horas da manhã, enquanto eu dormia profundamente, uma grande opressão imergiu-me imediatamente em um confronto terrível. Um demônio fora enviado para causar danos em minha vida.

No mesmo instante, uma fraqueza envolveu o meu ser. Tentei levantar os meus braços, mas estes não ultrapassavam a distância de um palmo acima da cama. Inicie a oração de guerra, pois já havia compreendido que estava sob um ataque do reino das trevas. A oração, porém, por mais que eu me esforçasse, não fluía. Cada frase era produzida através de um grande esforço.

Insisti na oração de guerra, clamando a Jesus com toda minha força, enquanto repreendia aquele mal. Fui me fortalecendo, à medida que orava com mais autoridade dada por Deus. Até que aquele espírito se retirou.

O sono, porém, era cruel naquela altura da noite. Era por volta das duas horas da madrugada. Poucos instantes depois, já quase sendo vencido pelo sono, a mesma opressão caiu sobre mim. Dessa vez, o adversário veio com ainda mais fúria. E golpeava-me com toda força.

Novamente, não conseguia levantar os braços mais do que um palmo acima da cama. Dei início, mais uma vez, à oração de guerra. Clamava o nome de Cristo e repreendia aquele mal, ainda que com dificuldade. Fui perseverando e, com isso, levantando os braços cada vez mais alto. Até que, por fim, estava com as mãos completamente estendidas. Finalmente, senti que precisava moderar a minha voz para não acordar as pessoas com as quais estava compartilhando aquele cômodo.

Felizmente, aquele demônio se foi. E Deus me concedeu a vitória.

Este último confronto deixou-me completamente desperto. Eu sabia que precisava fortalecer-me em Deus. Por isso, decidi permanecer em oração, lendo a Bíblia do meu celular e meditando na Palavra de Deus. Somente por volta das cinco horas da manhã, quando as luzes já estavam acesas e muitos funcionários iniciavam suas escalas, eu voltei a dormir.

Pela misericórdia de Deus, chegou o dia da minha alta. Pude ver a natureza, o Sol... E voltar para os meus familiares, amigos, para a minha realidade.

Dentre as muitas coisas que Deus me ensinou através desta experiência, aprendi que, quando tudo está bem, temos uma certa sensação de segurança. Achamos que temos algum controle sobre a realidade. Dizemos que confiamos em Deus, mas, na verdade, uma boa parte da nossa confiança está depositada em nós mesmos, ou seja, na crença de que temos controle sobre alguma coisa.

Quando nos encontramos diante de experiências como a que vivi, nós nos deparamos com a nossa vulnerabilidade. Em tais situações, a única opção que temos é crer, confiar completamente em Deus. Sentimos que estamos diante da vida e da morte. Diante do fato de que Deus tem a última palavra. Do fato de que, se sou capaz de confiar em Deus para readquirir a vida, tenho que ser também para enfrentar a morte, caso seja esta a última palavra de Deus. O mesmo Deus que nos acolhe do lado de cá (ou seja, na vida), é poderoso para nos acolher do outro lado, pois, como diz a Escritura "Eu (Jesus) sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?". João 11.25-26

Retomo a pergunta de Jesus: “Você crê nisso?”. Quanto você está preparado para enfrentar os desafios da vida e da morte? O quanto você confia realmente em Deus?

Que seja este um momento de reflexão e de retorno a uma vida profunda em Deus, pois ele é a nossa Rocha!

Paz seja contigo!

 

Denílson Nunes