terça-feira, 9 de março de 2010

O MEDO E O DESEJO

TEMA: MEDO E DESEJO __ SEMELHANÇAS E DISTINÇÕES

TEXTO: “Aquilo que teme o perverso, isso lhe sobrevém, mas o anelo dos justos, Deus o cumpre”. Pv. 10.24

INTRODUÇÃO

       “Saúdo os irmãos e irmãs em Cristo, eleitos no Senhor, com a graça e a paz de nosso Deus __ certamente, não poderíamos viver sem a bondade e provisão dele.

       Convido os abençoados do Senhor a abrirem as suas bíblias no capítulo 10, versículo 24, do livro do Rei Salomão intitulado Provérbios. Assim escreveu o sábio: Aquilo que teme o perverso, isso lhe sobrevém, mas o anelo dos justos, Deus o cumpre.

Invocação ao Senhor:

       Oremos ao Senhor:

       SENHOR DOS Exércitos, a presente mensagem não teria valor algum se não tivesse a unção do teu Espírito e não se baseasse na tua palavra. TU mesmo disseste que 'velas para que a tua palavra se cumpra'. Onde está a tua palavra, ali está o teu Espírito e, portanto, a tua provisão.

       Por esse motivo, ou seja, por não ser ação do homem a obra que se opera através da tua palavra, submeto-me ao teu poder, para que não seja eu a falar, mas a tua própria voz através de mim. Que ao usares o teu servo, conforme a tua vontade, os corações aqui presentes possam ser fortalecidos “na força do teu poder”! Que haja crescimento espiritual! E que cada um de nós possa, por meio dessa mensagem, adquirir conhecimento e sabedoria para que sejamos melhores naquilo que constitui o teu querer. Que todos digam AMEM!

Delimitação do tema:

       Queridos do senhor, nesta bendita oportunidade, estarei, nos próximos minutos, discorrendo sobre o seguinte tema: Medo e Desejo; semelhanças e distinções. Quando Salomão fala ‘aquilo que teme’, está falando do medo; e quando fala ‘anelo’, se refere ao desejo, visto que esse é o significado desta palavra. Devo ressaltar de antemão que, ao pôr em evidência tais semelhanças e tais diferenças, estarei simultaneamente conduzindo-os a uma firme convicção de que, ‘em Cristo, nós somos mais que vencedores’.

DESENVOLVIMENTO

       I __ O PODER DA MENTE. A primeira informação que, de imediato, atinge o nosso intelecto, quando lemos esse versículo, é a capacidade de a mente atrair os acontecimentos, sejam estes bons ou maus. Como você pode deduzir, não existia ainda a ciência Psicologia, mas o sábio já estava preconizando a lei do otimismo de do pessimismo. O que é a fé, senão o exercício otimista da nossa mente em relação a alguma expectativa ou acontecimento escatológico? Está claro a qualquer leitor das Escrituras que Deus não aprova o medo. Segundo os estudiosos, a expressão NÃO TEMAS aparece na Bíblia trezentas e sessenta e cinco vezes. Uma vez para cada dia do ano.

       II __ O MEDO E O DESEJO EM UMA MESMA ESCALA. Há um fato curioso nesta afirmação do sábio que não podemos ignorar. Refiro-me a oposição entre o fenômeno do medo e do desejo. É comum, em nossos cultura, as pessoas associarem ao medo, como sendo o seu contrário, a coragem; e não o desejo. Quando refletia sobre esse tema, enquanto formulava as conclusões que ora apresento, tive a curiosidade de perguntar a algumas pessoas se havia alguma semelhança entre esses fenômenos. Todas elas disseram-me que eles não possuíam nada em comum. Mas Salomão, curiosamente, os coloca em oposição. Em parte, posso dizer que foi essa percepção que me motivou a refletir sobre esse tema.

       III __ SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE O MEDO E O DESEJO. No começo deste sermão, propus-me a estabelecer as semelhanças e diferenças entre esses fenômenos. Ao passo que eu for desenrolando essa tarefa, estarei também definindo-os. O medo e o desejo podem ter várias definições, dependendo do contexto, o qual pode levá-los a ter características diferentes.

       1) Semelhanças: tanto o medo quanto o desejo se encaixam na definição de “expectativa em relação a algum acontecimento”. Vejamos um exemplo em que a expectativa originária do medo estimula um homem a buscar a intervenção de Deus: (2 Reis 19. 14-19). Há, no entanto, sensações que distinguem a expectativa produzida pelo medo daquela que flui da ação de desejar.

       2) Diferenças: sabemos que o desejo cativa; já o medo expele. Quando desejamos algo, reconhecemos que a expectativa que flui desse fenômeno é positiva, pois é o ponto de partida para a realização do objeto desse desejo. Para atingir algum objetivo, primeiramente precisamos desejar a sua realização. Só então podemos dar os passos seguintes. Portanto, o desejo, devido ao seu caráter positivo, associa-se às expectativas saldáveis __ àquelas que ao sujeito é conveniente a sua realização. Já o medo, em função do seu caráter negativo, descreve a expectativa na realização de algo indesejável (por exemplo, alguém que, morando em casa alheia com sua família, recebe o comunicado de que deverá abandoná-la dentro do prazo de três meses. Digamos que essa pessoa não tenha para onde ir. Ela permanecerá na casa, enquanto o prazo não for esgotado, porém sofrerá a terrível, indesejável, expectativa [ou seja, o medo] de que aquele dia pré-estabelecido chegará, e ela, abandonando a casa, terá que ir para a rua.) Concluímos que a ação de esperar algo favorável é o desejo e a ação de esperar algo desfavorável, o medo.

       IV __ AS MENSAGENS QUE ESTÃO INPLÍCITAS NA AÇÃO DE TEMER. A pergunta que surge nessa altura da nossa reflexão é a seguinte: o que acontece quando o cristão teme? Ou melhor, quais são as vozes que fluem da ação de temer? Não podemos ou não devemos responder a essas perguntas, sem primeiro respondermos a outra que surge de permeio:

       1) Por que o cristão deve fugir do medo? Em Romanos 9.28, há uma afirmação do apóstolo Paulo que pode nos ajudar a responder a essa pergunta. Assim ele afirma: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Esta afirmação deixa claro que tudo coopera para o nosso bem, visto que amamos a Deus. A expressão ‘todas as coisas’ não exclui nada. Até os acontecimentos terríveis, assustadores, que nos assolam contribuem para o nosso bem. É nesses momentos que a nossa comunhão com Deus se intensifica e nós percebemos que é o próprio Deus quem nos conduz em triunfo. Lembremo-nos do que afirmou o rei Davi, no Salmo 23.4: Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo. Logo, a crença na naquilo que diz a palavra de Deus exclui a necessidade de ter medo.

       2) Resposta à pergunta anteriormente formulada: agora podemos responder à pergunta que formulamos anteriormente: quais são as vozes que fluem da ação de temer? Quando alguém teme, é como se esta pessoa estivesse, na verdade, dizendo: “eu não creio que tudo coopera para o meu bem”; ou então: “eu não creio que sou guardado por Deus, por isso tenho medo; eu não creio que Deus me livrará, quando estiver em situações difíceis”. Tais afirmações não podem fazer outra coisa, senão desagradar a Deus, pois ao fazê-las, estamos, na verdade, duvidando de Deus e de seu caráter.

       V __ MAS..., O QUE DIZER DO MAIOR HOMEM (JESUS) DE TODO OS TEMPOS? ELE TAMBÉM TEVE MEDO. Ousei afirmar que o cristão não deve temer, pois temer é sinônimo de esperar algo desfavorável, o que desagrada a Deus, posto que ele comprometeu-se em suprir todas as nossas necessidades e livrar-nos de todo o mal. Assim, se confiamos nele, não devemos temer. As Escrituras, no entanto, revela-nos algo para o qual não podemos fechar os olhos: O maior homem de todos os tempos, Jesus, temeu. Marcos, no livro que leva o seu nome, registra essa passagem. Vejamos como tudo ocorreu: (Marcos 14.32-40). (obs.: lido o trecho, voltar aos versículos 33 e 34, onde está escrito “... começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia”; comentar também a expressão “o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”, versículo 38.).

       Nesta altura da nossa reflexão, pergunta o abençoado (a), certamente: esta constatação não invalida as afirmações anteriores? De maneira nenhuma, o fato de grandes homens terem sentido medo não implica, necessariamente, que o medo não tenha uma representação negativa diante do Senhor. Prova, no entanto, que enquanto habitarmos em um corpo físico, sujeito a fraquezas, o medo sempre tentará tomar ocasião na nossa carne. Conforme disse Jesus, “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Os mesmos grandes homens que tiveram medo, por exemplo, Elias, Ezequias, Moisés e outros, lutaram contra esse sentimento, pois sabiam que a permanência no medo desagrada o Senhor.

CONCLUSÃO

       VI __ SE O MAIOR HOMEM DE TODOS OS TEMPOS TEMEU, O QUE DEUS ESPERA DE NÓS, ESTÃO? Sem dúvida, Deus nos conhece profundamente. Sabe qual é o potencial do nosso espírito, que é um com ele; conhece, também, a fraqueza da nossa carne. Ele sabe que mais cedo ou mais tarde o medo, oriundo de alguma situação inusitada, poderá atingir a nossa estrutura humana. Há um ditado que diz que, às vezes, não se pode evitar que um pássaro voe sobre a nossa cabeça; todavia, podemos evitar que ele faça ali ninho. Se não podemos em alguns momentos evitar que o medo venha, podemos, no entanto, confessando as promessas proferidas pelo nosso Senhor, evitar que ele nos domine. Além disso, a fé capacita-nos a vencer as fraquezas da carne. Vejamos que declaração maravilhosa o apóstolo Paulo faz a respeito dos heróis da fé: “E que mais direi? Certamente, me faltará o tempo necessário para referir o que há a respeito de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas, os quais, por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros” (Hebreus. 11.32-34).

quinta-feira, 4 de março de 2010

A ESCRITA E O PENSAMENTO

       Deus, faço das minhas mãos a minha boca, enquanto digito estas palavras. E na crença de que o SENHOR me dá ouvido, exercito o meu intelecto.
       Preciso refletir, Pai. Tenho andado ocupado... Outras coisas tentam roubar-me o meu tempo. Não quero desativa a minha sensibilidade espiritual. A tua presença, eu bem sei, é insubstituível.
       Creio que escrever disciplina o pensamento. Permite que se gaste mais tempo na observação de determinado assunto. Quando apenas pensamos, as idéias se atropelam, se confundem; “voam” muitas vezes e, geralmente, caem no esquecimento... Quando escrevemos, temos a preocupação de selecionar o que realmente é significativo. E o que não é... entregamo-lo ao vento.
       Claro que deve-se ter muita cautela ao decidir entregar algo ao vento. Isto digo porque o vento é inflexível: o que vier ele “topa“, despedaça. Que garantia tem uma pessoa de que conseguirá reaver o que o vento levou? Nenhuma!
       Ocorre-me agora que existem várias maneiras de escrever. Não pretendo discorrer sobre tal diversidade. E sim apenas lembrar que ela existe. Mas... para que faço isto? Apenas para pôr em destaque o caráter especial da ação de escrever, tal como é concebida neste texto: escrever, neste caso, significa pensar através do texto. Enquanto escrevo, penso -- enquanto penso, escrevo.
       É bom ter consciência de tais coisas. Melhor do que isto, é fazer desta prática um exercício diário. Por isso, eu te peço humildemente, Pai: ensina-me a disciplinar o meu tempo. E a desenvolver o dom de pensar, digo: o pensar profundo, aquele que vai além da aparecia, mergulhando nas entrelinhas. E que, “na cola” dos meus pensamentos, estejam os meus dedos, ágeis e atentos, prontos para a nobre arte! Esteja comigo, SENHOR, nos desafios deste ano, 2010. Faça-me próspero. Que eu saiba ouvi-lo, entendê-lo! E a tua vontade prevaleça em mim! Amém!