I) INTRODUÇÃO
“Graça e paz!” é a saudação que utilizo para iniciar a minha fala desta noite.
Recentemente, na madrugada do dia 31 de outubro de 2011, eu tive uma experiência interessante. Era mais ou menos entre 5h e 15 e 6h e 20. Eu estava me arrumando para ir ao trabalho. Exatamente por isto, era necessário que a minha mente estivesse concentrada naquilo que eu estava fazendo: eu estava me arrumando e organizando tudo o que eu preciso para exercer o meu trabalho.
Entretanto, a minha mente começou a ser invadida por diversos assuntos referentes à santificação. Talvez você questione: “Mas, Denílson... o que há de especial nesta experiência? Refletir sobre temas bíblicos é normal na vida de um cristão...” O interessante desta experiência é que aquelas reflexões vieram em minha mente de tal forma, que eu não estava conseguindo me concentrar em coisas simples: coisas que faço todos os dias antes de sair para trabalhar. Com isso, o tempo ia passando rapidamente e eu comecei a ficar preocupado, pois temia chegar atrasado ao trabalho.
Então fiz um grande esforço para concentrar-me nas coisas que eu precisava fazer e pedi a Deus que me ajudasse a voltar, depois, àquele tema.
O versículo-chave que, naquela ocasião, desencadeou aquelas reflexões sobre santificação se encontra em 1 Pedro 1.16 “porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
II) DESENVOLVIMENTO
Irmãos, como vocês bem sabem, este tema, a santificação, tem sido servido no altar desta igreja. Há poucos dias, tivemos o congresso jovem com o tema “É tempo de ser santo”. Muita coisa foi dita a este respeito.
Entretanto, eu gostaria de desenvolver este tema com a pergunta “POR QUE EU DEVO SER SANTO?” (Repita comigo: “POR QUE EU DEVO SER SANTO?”)
Nós não pertencemos a nós mesmos (não “somos donos do nosso nariz”)
Antes de qualquer elaboração de resposta a esta pergunta, é importante que uma coisa esteja bem clara em nossa mente. Confira 1 Pedro 1.18-19: “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”. Como podemos ver claramente nesta palavra, nós fomos resgatados a preço de sangue através do sacrifício da cruz do Calvário. Isto significa que nós não pertencemos a nós mesmos, mas àquele que nos resgatou. É comum algumas pessoas dizerem: “eu faço o que eu quiser, pois sou dono do meu nariz!” (Quantos aqui conhecem esta expressão?) Quem criou esta expressão esta por fora. Deus é que é dono do nosso nariz! Por favor, digam “amém!” aqueles que estão entendendo esta mensagem.
Eu estive verificando no meu dicionário bíblico o significado da palavra “resgatar”. E fui direcionado para o sinônimo “remir”, que significa “libertar pelo pagamento de um preço”.
Devemos ser santos porque o nosso proprietário nos deu esta ordem
Agora que está claro, povo de Deus, que nós não pertencemos a nós mesmos, podemos perseguir a resposta para a pergunta formulada anteriormente. Qual é mesmo a pergunta que eu formulei? Alguém se lembra? (POR QUE EU DEVO SER SANTO?)
1º) Porque o nosso proprietário ordena isto. Ele diz “sede santos!” Alguém aqui sabe dizer em que modo se encontra o verbo “sede”? Não? Vamos conjugá-lo então: sê tu, seja você, sejamos nós, sede vós e sejam vocês. Está no imperativo. E o imperativo indica ordem. Deus está nos dando uma ordem e a ordem é esta “temos que ser santo”.
Ainda nesta linha de raciocínio, pense comigo: se Deus, o nosso proprietário, ordena que temos que ser santos, restando a nós a obrigação de obedecê-lo, então temos que ter uma noção exata sobre o que é santidade.
1º definição sobre “santidade”
Voltemos ao dicionário bíblico, onde encontramos três definições, das quais duas se destacam por causa da identificação que têm com o contexto desta mensagem.
Conforme o dicionário bíblico, o segundo sentido da palavra santidade (depois eu falo sobre o primeiro.) define-a como “qualidade do membro do povo de Deus que o leva a se separar dos pagãos, a não seguir os maus costumes deste mundo a pertencer somente a Deus e a ser completamente fiel a ele.” Ou seja, santidade é “a ação de alguém se afastar dos maus caminhos e andar pelos bons caminhos, segundo a Palavra de Deus”.
É através da Palavra de Deus que nós adquirimos conhecimento sobre qual é o bom e o mau caminho. Talvez alguém pergunte: “Mas é preciso saber, também, qual é o mau caminho?” Sim! Exatamente para que você se desvie dele.
O que as Escrituras dizem sobre Jó? Jó 1.1: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.” Por que ele conseguia se desviar do mal? Porque ele conhecia o mal e não o aceitava em sua vida. O salmista Davi certamente diria que Jó, além de íntegro, reto e temente a Deus, era também bem-aventurado, feliz, pois assim ele se expressa no salmo primeiro “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”
[...]
Recapitulando, temos que ser santos porque Deus, o nosso proprietário, ordena isto: ele quer que sejamos santos.
Deus apresenta o fato de ele ser santo como a razão decisiva para que nós sejamos santos
No entanto, queridos, não paremos por aí. Deus ainda continua falando conosco através de 1 Pedro 1.16.
Deus não parou na frase imperativa “sede santos”. Ele continua: (sede santos,) porque eu sou santo”. E é aqui, exatamente nesta oração, que encontramos um mistério extraordinário. Deus não para na oração imperativa. Ao contrário, mostra-nos um motivo por causa do qual nos temos que obedecer a sua ordem. Ele diz seja santo, por esta razão: porque eu sou santo.
Enquanto eu refletia sobre esta oração, estive pensando: eu não tenho o direito de chegar para você e dizer: “Corte o seu cabelo igual ao meu!”. Aí você me pergunta: “Por que eu devo fazer isto?” Então eu respondo: “Porque eu cortei desta forma!”... Ora, o fato de eu ter cortado o meu cabelo de um jeito não sugere em si que você deva cortar o seu da mesma forma.
Entretanto Deus, por causa da excelência da posição hierárquica que ele possui, não havendo ninguém acima dele, pode chegar para mim e para você e dizer:
– Filhinho!
– Sim, Deus. Eis me aqui!
– Seja santo!
– Mas por quê, Deus?
– Porque eu sou santo!
Eu penso que Deus, quando proferiu este período para Israel (Pedro buscou esta palavra lá em Levítico 11.44. Há uma intertextualidade aqui.), estava de certa forma dizendo: “Olha! eu sou o modelo, eu sou o padrão, o paradigma. Vocês têm que ser iguais a mim, tem que ser parecidos comigo. Vocês têm o meu DNA espiritual. Eu sou o seu pai.”
Então, irmãos, não sejam iguais ao seu vizinho não crente. Não sejam iguais a essas pessoas famosas que diariamente são veiculadas pela mídia, as quais não têm Jesus. Há muitas pessoas querendo ser iguais ao Luan Santana, ao Neimar, etc. Nós temos em Cristo o modelo dos modelos; o paradigma dos paradigmas. Todas estas pessoas famosas algum dia não serão sequer lembradas. Mas o nosso Deus é o pai da eternidade.
CONCLUSÃO
No salmo 90. 1-2, está escrito: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.”
Portanto, irmãos, é tempo de darmos um passo além no que diz respeito à santidade. O Deus a quem servimos é eterno. Logo, santidade também o é. A primeira definição, da qual eu falei anteriormente, define a santidade como “atributo de Deus pelo qual ele é moralmente puro e perfeito, separado e acima do que é mal e impuro.”
Finalizando esta mensagem, eu tenho que lhe dizer uma coisa: de nada adianta adquirirmos um vasto conhecimento sobre santidade, se nós não andarmos com Deus. Por isto, não abra mão do seu momento a sós com ele. Deus é a fonte da nossa santidade.
Sabe o que Deus disse a Abraão? “Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda na minha presença e sê perfeito”, Gn 17.1.
Termino esta mensagem com 1 Pedro 1.13-16:
Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.
