domingo, 28 de fevereiro de 2010

A LÓGICA DA ILIMITAÇÃO DIVINA

       Deus é “ilimitado em suas potencialidades” à medida que é onipotente, onisciente e onipresente. Essa ilimitação que o caracteriza o deixa insuperável em todos os aspectos.
       Acredito que tal fato seja racionalmente compreensível. Vamos pensar juntos:
       Se é racional crer que toda criatura é menor que seu criador, também o é a crença no fato de que as mesmas (ou seja, as criaturas) não o podem superar, seja em obras, pensamentos ou qualquer outra coisa.
       Não é difícil encontrar pessoas que “acreditam” na ilimitação de Deus — isto incute-nos a nossa cultura, desde que nascemos. A questão que surge, sobre a qual pretendo discorrer, é a seguinte: até que ponto tal fato é racionalmente inteligível?
       Para examinarmos tal questão, permita-se imaginar o seguinte fato:
       É-lhe dado o poder de sair do domínio divino. Você está agora fora do controle dele e pode observá-lo bem como observar também a sua relação com toda criatura e a relação desta com ele. Considere, ainda, que no processo de observação surge algo surpreendente: você descobre que Deus não é ilimitado. Essa consciência, no entanto, só foi possível graças a um fator: foi-lhe dado também o poder de comparar Deus e sua realidade a outros seres iguais a ele e a outras realidades iguais a dele.
       Agora, responda a essa pergunta:
       A sua descoberta poderá mudar o ponto de vista das outras pessoas, as quais não puderam nem podem olhar a realidade da existência divina a partir do mesmo ponto de observação do qual você olhou e com as mesmas capacidades intelectivas que você recebeu naquele momento?
       Certamente não! — não podem comprovar o que você comprovou...
       Isso prova que, mesmo que Deus fosse limitado, conforme “atestou” a hipotética observação, ainda assim seria ilimitado a nós, seres que, submissos a ele, não o podem superar, olhar além dos “limites” ilimitados que a sua existência nos condiciona. Em outras palavras, mesmo que Deus fosse limitado, nós não teríamos a capacidade, na realidade em que vivemos, de vê-lo dessa forma.
       Continuando o nosso raciocínio, considere ainda que esta “realidade”, a partir da qual você observou Deus, não existe — é apenas fruto da sua imaginação. Igualmente, os seres aos quais você o comparou, bem como as realidades com as quais você comparou a realidade dele, não existem. Só Deus, que é o tudo, existe. Logo, ninguém pode observá-lo, estando fora dele. Ele é e sempre será ilimitado para todas as criaturas, posto que nenhuma delas o pode observar estando fora dele — o “fora dele” não existe

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A ARTE DA ESCRITA E A FORMAÇÃO DE OPINIÃO

       Entre tantos sentidos, escrever significa formar opinião.
       Tomemos estas duas palavras, “formar opinião”, como ponto de partida. Creio que elas contêm a razão principal de muitas pessoas terem dificuldades em redigir um texto. Formar opinião não exige apenas conhecimento, requer, acima de tudo, uma formação cultural definida. Lembremos que os valores e os dogmas religiosos são determinantes na formação do caráter de cada pessoa.
       Um exemplo bem prático é o tema “aborto”. O que escrever, numa redação de vestibular ou concurso, sobre este tema? Esta é a grande pergunta que experimenta uma pessoa em tal situação. A dificuldade, normalmente, não advém da falta de informação, mas sim da necessidade de defender um ponto de vista. Um ponto de vista que se baseie em fortes argumentos, que seja capaz de convencer o leitor.
       Se na base da formação do caráter prevalecem, estando ali arraigados, os conceitos bíblico-cristãos, provavelmente o ponto de vista de quem escreve será contrário ao aborto. Será, no entanto, favorável, se o indivíduo for oriundo de uma família não-conservadora.
       O grande problema é que nem sempre é possível se identificar precisamente com um destes conceitos, digo o conceito de ser ou não ser conservador.
       Há fortes argumentos que dão base à condenação do aborto. Há, por outro lado, argumentos igualmente fortes reunidos pelos que o defendem. Ambas as linhas de raciocínio são difundidas pela mídia. E, nesse contexto, as famílias e as comunidades ora se posicionam favoráveis ora contrárias. É, como se pode ver facilmente, difícil para alguém que cresce nesse ambiente formar uma opinião irrefutável. Se isto ocorresse, o tema em questão não seria polêmico.
       A escrita pode e deve, na medida do possível, ser direcionada segundo as intenções do sujeito. Todavia, nem sempre isto é possível. É comum o escritor não saber aonde vai chegar quando inicia um determinado texto. Por isso, nem sempre é recomendado que se espere que a inspiração chegue. Isto pode não acontecer e, consequentemente, a obra não surgir. É quando colocamos a mão na massa, que as coisas começam a acontecer.
       Quem não consegue perceber claramente os conceitos básicos que definem o seu caráter, ou seja, de que lado do muro se encontra, tem, em geral, dificuldade de formar opinião e, consequentemente, de escrever. Eis a importância do pensamento reflexivo. Ele nos faz encontrar a nós mesmos e nos conecta ao sobrenatural.
       Que a força do nosso Deus ilumine o nosso espírito e nos capacite para (sem perder a capacidade de ouvir e respeitar a opinião alheia) termos um posicionamento racional e definido diante deste mundo, onde a confusão impera!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O intelecto frente ao infinitamente grande e complexo

COSMOPOLITA, logo logo chegará o momento de esta palavra ser usada em sua dimensão maior: “ser cidadão do cosmos (do universo)”, e não apenas do mundo, no sentido de planeta Terra. As descobertas científicas referentes ao universo e os avanços tecnológicos, se ainda não nos permitem viajar pelo universo, ou mesmo até os lugares mais longínquos da nossa galáxia, pelo menos nos fazem entender que o infinitamente grande pode ser absorvido pelo nosso intelecto, a despeito da sua dimensão e complexidade. Engrandecido seja o Projetista de todas as coisas, que nos capacitou com tão potente intelecto! E isto é apenas o começo. Fiquem na paz!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

PENSAMENTO REFLEXIVO

       Cheguei há poucos minutos. Estava na casa de um parente e, agora, tenho um olhar para dentro de mim.

       Vou explicar melhor: é que tenho o meu netbook ligado, o processador de texto do Microsoft Works aberto... Estou deitado em minha cama, condição perfeita para escrever algo. E eu realmente sinto que tenho que escrever alguma coisa.

       O meu olhar, então, se volta para dentro de  mim, espreitando por cada compartimento de mim mesmo. E eu a perguntar-me sobre as coisas que vi, ouvi, pensei... Um questionar crítico pulsa vigorosamente. Deve haver algo de interessante no hoje, algo que mereça esta página!
       Resolvo pôr a mão na massa, e começo a escrever, mesmo sem ter alguma noção sobre o que vai sair. Quanto mais eu penso sobre o que vou escrever, sinto que o meu pensamento vai se voltando sobre si mesmo, caracterizando o que chamo de metapensamento.
       Ocorre-me que pensar, entre outras coisa, é o que nos distingue dos demais seres vivos. É, portanto, algo nobre. Pensar se aprende. É uma faculdade que pode e deve ser desenvolvida. Há, pergunto, outra maneira de aprimorar o pensamento que não passe pelo metapensamento? Imagino que não.
       Infelizmente, o dia a dia, as ocupações e preocupações tiram-nos a nossa sede de reflexão.
       Alguém poderia facilmente, sem usar o intelecto, claro! e justificando a sua preguiça mental, dizer-me que, “de pensar, morreu um burro” (...). Mas... por que se diz isto a um ser humano, na nossa cultura? E não a um burro? Um burro, dirá alguém, não entende a linguagem humana. E eu acrescento: tampouco pensa, como pensa um ser humano, embora há quem diga que eles (os burros) são muito inteligentes... O que é questionável, pois, se são burros, como podem ser inteligentes?
       O enunciado em questão (acrescento que há a possibilidade de interpretar a palavra “burro” como um adjetivo, e não como o substantivo que dá nome a um animal) explora o que se convencionou chamar de raciocínio lógico. A expectativa (ainda que predominantemente inconsciente: é comum as pessoas repetirem frases -- simplesmente porque já as viram sendo usadas em tal situação -- sem pensar no significado que elas carregam...) de quem o emite é a de que o interlocutor pense da seguinte forma: se um burro morreu de tanto pensar, pode ser que eu, que estou a pensar, também morra. Não percebe tal pessoa que, ao pensar dessa forma, se equipara, como se o fosse, ao próprio burro. Alguém dirá sarcasticamente que, nesse caso, a equiparação é justa. (...)
       Há, não posso negar, no entanto, pessoas que usam o referido enunciado de forma humorística, reconhecendo os sentidos subjacentes que se escondem em sua bagagem. Neste caso, o uso é saudável, isto se o interlocutor for capaz de acompanhar o (s) raciocínio (s) evocado (s). Caso contrário, pode ser que este se sinta desestimulado do exercício diário do pensar profundo, que tão bem faz à saúde de todos nós. Há mensagens ocultas que, mesmo não sendo compreendidas pelo intelecto, se alojam no subconsciente e influenciam a vida das pessoas.
       Para terminar com um raciocínio lógico: se há enunciados ocultos que influenciam o comportamento humano, e eu, humano, não quero ser escravizado por eles, então devo, diariamente, praticar o pensar profundo, pois é através dele que penetramos além da superfície. E que, especialmente na arte de pensar, todos sejamos prósperos! E possamos caminhar seguros nos caminhos do 2010, que já está diante de nós! Feliz pensar!