domingo, 28 de fevereiro de 2010
A LÓGICA DA ILIMITAÇÃO DIVINA
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
A ARTE DA ESCRITA E A FORMAÇÃO DE OPINIÃO
Entre tantos sentidos, escrever significa formar opinião.
Tomemos estas duas palavras, “formar opinião”, como ponto de partida. Creio que elas contêm a razão principal de muitas pessoas terem dificuldades em redigir um texto. Formar opinião não exige apenas conhecimento, requer, acima de tudo, uma formação cultural definida. Lembremos que os valores e os dogmas religiosos são determinantes na formação do caráter de cada pessoa.
Um exemplo bem prático é o tema “aborto”. O que escrever, numa redação de vestibular ou concurso, sobre este tema? Esta é a grande pergunta que experimenta uma pessoa em tal situação. A dificuldade, normalmente, não advém da falta de informação, mas sim da necessidade de defender um ponto de vista. Um ponto de vista que se baseie em fortes argumentos, que seja capaz de convencer o leitor.
Se na base da formação do caráter prevalecem, estando ali arraigados, os conceitos bíblico-cristãos, provavelmente o ponto de vista de quem escreve será contrário ao aborto. Será, no entanto, favorável, se o indivíduo for oriundo de uma família não-conservadora.
O grande problema é que nem sempre é possível se identificar precisamente com um destes conceitos, digo o conceito de ser ou não ser conservador.
Há fortes argumentos que dão base à condenação do aborto. Há, por outro lado, argumentos igualmente fortes reunidos pelos que o defendem. Ambas as linhas de raciocínio são difundidas pela mídia. E, nesse contexto, as famílias e as comunidades ora se posicionam favoráveis ora contrárias. É, como se pode ver facilmente, difícil para alguém que cresce nesse ambiente formar uma opinião irrefutável. Se isto ocorresse, o tema em questão não seria polêmico.
A escrita pode e deve, na medida do possível, ser direcionada segundo as intenções do sujeito. Todavia, nem sempre isto é possível. É comum o escritor não saber aonde vai chegar quando inicia um determinado texto. Por isso, nem sempre é recomendado que se espere que a inspiração chegue. Isto pode não acontecer e, consequentemente, a obra não surgir. É quando colocamos a mão na massa, que as coisas começam a acontecer.
Quem não consegue perceber claramente os conceitos básicos que definem o seu caráter, ou seja, de que lado do muro se encontra, tem, em geral, dificuldade de formar opinião e, consequentemente, de escrever. Eis a importância do pensamento reflexivo. Ele nos faz encontrar a nós mesmos e nos conecta ao sobrenatural.
Que a força do nosso Deus ilumine o nosso espírito e nos capacite para (sem perder a capacidade de ouvir e respeitar a opinião alheia) termos um posicionamento racional e definido diante deste mundo, onde a confusão impera!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
O intelecto frente ao infinitamente grande e complexo
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
PENSAMENTO REFLEXIVO
Cheguei há poucos minutos. Estava na casa de um parente e, agora, tenho um olhar para dentro de mim.
Vou explicar melhor: é que tenho o meu netbook ligado, o processador de texto do Microsoft Works aberto... Estou deitado em minha cama, condição perfeita para escrever algo. E eu realmente sinto que tenho que escrever alguma coisa.
O meu olhar, então, se volta para dentro de mim, espreitando por cada compartimento de mim mesmo. E eu a perguntar-me sobre as coisas que vi, ouvi, pensei... Um questionar crítico pulsa vigorosamente. Deve haver algo de interessante no hoje, algo que mereça esta página!
Resolvo pôr a mão na massa, e começo a escrever, mesmo sem ter alguma noção sobre o que vai sair. Quanto mais eu penso sobre o que vou escrever, sinto que o meu pensamento vai se voltando sobre si mesmo, caracterizando o que chamo de metapensamento.
Ocorre-me que pensar, entre outras coisa, é o que nos distingue dos demais seres vivos. É, portanto, algo nobre. Pensar se aprende. É uma faculdade que pode e deve ser desenvolvida. Há, pergunto, outra maneira de aprimorar o pensamento que não passe pelo metapensamento? Imagino que não.
Infelizmente, o dia a dia, as ocupações e preocupações tiram-nos a nossa sede de reflexão.
Alguém poderia facilmente, sem usar o intelecto, claro! e justificando a sua preguiça mental, dizer-me que, “de pensar, morreu um burro” (...). Mas... por que se diz isto a um ser humano, na nossa cultura? E não a um burro? Um burro, dirá alguém, não entende a linguagem humana. E eu acrescento: tampouco pensa, como pensa um ser humano, embora há quem diga que eles (os burros) são muito inteligentes... O que é questionável, pois, se são burros, como podem ser inteligentes?
O enunciado em questão (acrescento que há a possibilidade de interpretar a palavra “burro” como um adjetivo, e não como o substantivo que dá nome a um animal) explora o que se convencionou chamar de raciocínio lógico. A expectativa (ainda que predominantemente inconsciente: é comum as pessoas repetirem frases -- simplesmente porque já as viram sendo usadas em tal situação -- sem pensar no significado que elas carregam...) de quem o emite é a de que o interlocutor pense da seguinte forma: se um burro morreu de tanto pensar, pode ser que eu, que estou a pensar, também morra. Não percebe tal pessoa que, ao pensar dessa forma, se equipara, como se o fosse, ao próprio burro. Alguém dirá sarcasticamente que, nesse caso, a equiparação é justa. (...)
Há, não posso negar, no entanto, pessoas que usam o referido enunciado de forma humorística, reconhecendo os sentidos subjacentes que se escondem em sua bagagem. Neste caso, o uso é saudável, isto se o interlocutor for capaz de acompanhar o (s) raciocínio (s) evocado (s). Caso contrário, pode ser que este se sinta desestimulado do exercício diário do pensar profundo, que tão bem faz à saúde de todos nós. Há mensagens ocultas que, mesmo não sendo compreendidas pelo intelecto, se alojam no subconsciente e influenciam a vida das pessoas.
Para terminar com um raciocínio lógico: se há enunciados ocultos que influenciam o comportamento humano, e eu, humano, não quero ser escravizado por eles, então devo, diariamente, praticar o pensar profundo, pois é através dele que penetramos além da superfície. E que, especialmente na arte de pensar, todos sejamos prósperos! E possamos caminhar seguros nos caminhos do 2010, que já está diante de nós! Feliz pensar!
