quinta-feira, 27 de maio de 2010

ESPELHO DE SI MESMO

          Sabemos que a constante busca do ser humano de entender a si próprio não é algo recente, uma tendência do presente século... Ao contrário, acompanha a humanidade desde que a mesma existe. O homem sempre tentou entender a si mesmo!
          Entretanto, embora esse esforço seja tão antigo quanto antiga é a humanidade, o homem e tudo aquilo que o envolve continua sendo um mistério. Estava certo, assim penso, o poeta William Shakespeare quando afirmou que “há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”.
          A poesia a seguir, “Espelho de si mesmo” (de minha própria autoria), tem como tema exatamente essa constante busca do autoconhecimento. Busca esta que, diariamente, nos confronta com o “espelho” do nosso próprio intelecto, onde a nossa imagem refletida poderá, assim esperamos, dizer algo de sólido a nosso respeito.

ESPELHO DE SI MESMO

Espelho do intelecto
Ponto de reflexão
Minha imagem se resvala
Contemplo-a atento
“Espelho de Alcibíades”
Olhos do sentimento

Objeto da própria razão
Auto-análise minuciosa
Psiquismo da própria alma
Que se mede
Se pesa
Se examina
Se concentra
Se ensimesma
E ensimesmando
Se entende...
Se confunde
Se retrata
Se ora sabe tudo o que sabe
Ora sabe “que nada sei”

“Ser ou não ser
eis a questão”
Questionamento
Que sempre insiste
Quanto mais sabe
Mais se apequena
Sabe, contudo,
“O saber de si mesmo”
“Sabe que pensa
Se pensa existe”
Se existe se ama,
Se encanta
Se entrega tremendo
Sorrindo e querendo
O amor de quem ama

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